Na minha última visão, passou-se um filme entre aspas, simples como quando August sentava nos bancos de praças pra roubar identidades, como se não houvesse nunca desistência em cheirar primavera. Tempos diferentes, vontade que provoca cabelos molhados,olhos sempre secos, ensaiando uma festa, deslizando, negros, claros, tudo misturado. E lá no fundo de toda coisa que agrada, existe um pulsar cômico, furtivo, de um sujeito faceiro que inquieta sempre por trazer uma paz do tamanho da estação que carrega. Em todos os lugares que foi, ficou pra sempre. E em mim, restou a sujeira no cinzeiro, a marca vermelha no meu quadro mais bonito, a bebida que nunca tomei direito e um livro que dança comigo nos passos dele que sorri só pra me ver no espelho, um outubro talvez...
Um tanto de August, para ser Eme.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
sábado, 6 de junho de 2015
Olhos muito mais suculentos com as emoções, saíam sempre me arrastando. Até mesmo nos campeonatos particulares de corrida à cavalo, por mais que me permitisse ganhar, era sempre o vencedor. Hoje faria trinta e cinco anos. Então são dezoito anos de mistério em minha vida. Tudo volta puxando o
encanto que acabou por encantar o mundo inteiro com aquele sorriso pausado, como se puxasse sempre a verdade pro canto direito...Então vem uma saudade acompanhada de um sorriso parecido, mas muito menos feliz por querer a visão pro mundo do paraíso e saber que só restou o reflexo dessa verdade que pulsa como um coração ambulante caminhando sozinho...O sorriso ainda é o mesmo. Ainda há a espera em cada degrau com cerâmicas quadriculadas, sem esquecer que cada passo à frente significa um olhar pra trás, reafirmando os próprios passos. O olhar para o nada é sempre para alguém...
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Afastei com essas mesmas mãos que escrevem, minha mais aparente felicidade.
Profundos olhos castanhos me olhavam, como se falassem desconfiadamente
dos absurdos que surgiam em meu rosto pela incompreensão do tempo.
Sua expressão gritou durante vinte anos em minha vida e junto com
ela, um outono disfarçado de primavera.
terça-feira, 12 de maio de 2015
Transbordo pelas mãos, desfrutando de milhões de verdades em que a solidão de uma unica companhia se fez presente. Gargalhadas monossilábicas como há muito tempo não mergulhavam vem aquecer as linhas do meu rosto, somos nossos papéis! As montanhas vontadosas em que suas árvores não deixam de dançar, enquanto espero o vento para um tango, tateiam com absurda teimosia, meu Fechar de olhos ao receber cócegas das flores de canafístula. Não é mais apenas um grão, uma gota...é vida materializada em mãos pequenas, que engatinham. Não te quero mais palavras, joguem-se no absurdo dessa vida tocando deliberadamente outra alma, que tem fome...
Estranhamento, soslaio...Então tomo posse de uma natureza reflexiva. Identidades, relações construídas, refutando e assumindo paradoxalmente a percepção junto com sua construção deliberada de olhares, essência na descoberta de uma autêntica sensibilidade. Que mundo compreensível, como é bom ser incompreendida por um novo olhar, aceitando a diferença da sua ausência na criação!
Adormecida, tulipas vermelhas amendoadas me beijam. No espelho, uma parede rebocada. Meu chão, como eu sonhava! Viver um sonho adormece a nossa vontade de realizar. Tudo outra vez, fatalmente estarrecida em saber sobre August, assim como são todas as primaveras criadas pela vontade de ser plural. Totalmente vazia. Eu já nada sei e ainda assim não me habituo ao superficial. Misturas psicodélicas entre Nietzsche, culinária e banhos de mangueira. Na minha ilha, sou a senhora, desenvolvi uma habilidade terrível de carregar meus amigos sempre comigo, equivocando e sendo equivocada. Me perco no labirinto dos conselhos de Nanook, consolos de Tomcat e ronronados de Sona, não, o tempo não passa. Aqui tudo é...
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